quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hipermodernidade

Anoitece e o caminhar se torna cada vez mais frio e solitário. Pelo caminho, bancas. De todos os tipos e cores, tantas opções e eu sem saber ao certo por que as observo. Talvez procurando algo que me preencha - uma caixinha contendo felicidade instantânea. É possível que já exista felicidade enlatada no mercado: eu que estou procurando nas bancas erradas.
- Pra senhora?
- Não, nada. Estou só olhando.
Durante o percurso essa situação se repete inúmeras vezes. Não, não quero levar nada. Que inferno: estou só olhando. Não se pode apenas querer observar?
- Este aqui, moça linda! Faço um desconto especial. A promoção só vale hoje.
- Levo-não-levo-levo-não-levo-levo-não-levo-não-levo-levo. Levo. Ponha em pacote de presente, por favor.
Em casa, desembrulho minha mais nova aquisição. Mas ela parecia tão mais interessante enquanto estava lá na banca. Agora ela é tão comum, tão sem graça, tão...

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