domingo, 25 de agosto de 2013

Ela sempre odiou caminhar sob a chuva. A água gelada caindo sobre seu corpo sempre fora sofrível. Qualquer frio sempre fora. Também nunca apreciou o fato de segurar na mão. Mas naquele dia ela estava amortecida. Tantas hipóteses, tantas incertezas, tantas postergações.  Naquele dia tudo era cristalino. Tudo transparecia e não existia nada que não pudesse ser captado no olhar dele. Era o primeiro dia em que ela não tinha nenhum compromisso agendado. Não que ela achasse normal ou estivesse confortável com a situação. Mas ela decidiu não barrar, deixar correr, mudar. Ele, por sua vez, não sentia dificuldade alguma em conduzir, tudo soava tão natural e espontâneo. Ela o observava e mentalmente ia enumerando todos os detalhes dele que ela admirava. Tão pouco tempo e tantas coisas que ela repensara devido à convivência com ele. Ele jamais imaginaria quantas vezes nesse pouco tempo ela desejou ser como ele. Toda a inocência, vitalidade. Como ela desejara ter a mesma forma de ver a vida, e, principalmente, ter a mesma atitude perante a vida. Ela realmente o considerava um cara de atitude, e isso a deixava ainda mais encantada. Naquele dia ele transbordava, ela observava. Mas decidiu não ir contra, embora estivesse confusa. Quando retornou a algum momento de consciência e racionalidade, ela somente se permitiu refletir sobre como nem se dera conta de tudo que fora desconstruído naquele dia, e como em especial naquele dia ela estava adorando andar de mãos dadas sob a chuva.

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