terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Almofada Roxa

Aceitar ou não dava na mesma. Vacilar pelas ruas, atender passivamente aos chamados. Pedir mais café alheia à cidade lá fora. Trancar a porta do quarto e chorar abraçada com sua almofada roxa. Sozinha! Aceitando-se só naquela cama e naquele quarto. Podia chorar abraçada com a almofada sem que viessem acalmá-la, esgotando o choro. Só depois o dia começaria. Teria que voltar para os seus vazios dias transpirando café. Abismos, incertezas, pensamentos, dor e esperas. Amortecida com Vodka. Obrigando-se a pensar nos projetos. Retomar, mas de outra maneira. Libertar-se do fantasma de viver sem nunca cumprir uma tarefa até o final. Libertar-se do fantasma. Libertar-se da inquietação. Libertar-se de viver.

7 comentários:

Anônimo disse...

Tenha Fé e esperança, tudo vai dar certo.

bjs

Ricardo Agostini Martini disse...

O q aconteceu? Tá sem idéias para a monografia?

Abs.

Amy Mizuno disse...

Inferno astral. Acho que Urano entrou em Escorpião

Anônimo disse...

Liberte-se da almofada roxa.

Vinicius Camargo disse...

perdoe o anonimato.

Anônimo disse...

Se eu dissesse aqui que a almofada roxa é um equívoco existencial, estaria errado. A catilinária de que a púrpura almofada existe unicamente por uma síndrome do coitadismo não é, pelo menos de todo, verdadeira. É, porventura, culpado o eu que se exacerba?
Certa madrugada eu bebia num boteco, quando um amigo veio com essa: o peso é a leveza do ser. Lera num livro. Pode mesmo ser. A almofada roxa é a leveza de uma alma pesada. Que lê Nietzsche.
A jovem que chora o atrito com o namoradinho? Mais que isso: vê-se que é a jovem que sente e começa a tomar consciência da inconformidade do eu com o mundo incongruente. Não é, pois, uma liberal de direita. A almofada roxa vem a ser um retorno para si mesma. Um retorno profícuo, em que pese confrangedor. Outra coisa, ninguém é santo nas relações humanas.
“Só depois o dia começaria.”
Não será, todavia, um dia triste. O vazio, os abismos, a dor e a espera serão relegados a um segundo plano. Porque o eu, fortalecido, andará soberbo pelo deserto do Nada. Viverá. A vodka faz parte da beleza da vida.
Não sou bom conselheiro, por isso evoco mestre Cartola:

“Corra e olha o céu, que o sol vem trazer bom dia.”

Amy Mizuno disse...

Bôôôô, Said!!!

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=P