La plage
As melhores lembranças que tenho de minha infância sempre estão associadas a férias e praias. Todos os anos o mesmo rito. Natal, alguns esperando o telefonema do pai dizendo que não chegará para a ceia, e dias depois mais uma viagem. Ao lado do meu pai, observando pela janela as estradas enquanto uma rajada de pensamentos ocupava minha mente – sempre tive minhas melhores idéias e melhores pensamentos ou no banho ou enquanto viajo olhando pela janela. E quando finalmente chegavam os momentos de ir à praia era como “recarregar as pilhas”.
Fato é que, repetindo os escritos de 2004, a praia me faz muito bem. Não aquele ir à praia clichê – banho de sol, balada, pessoas, sair na “night”. O ideal é sempre uma praia com poucas pessoas (sim, meu problema é com as pessoas). Quando falo em praia estou falando de São Paulo para cima. Guarapari, por exemplo. Água cristalina, mar quente e sereno, poucas pessoas. Eu poderia listar outras: Vila Velha, Vitória, Ilhéus, Recife, Olinda, Maceió... mas todas possuem as detestáveis pessoas. Não encontro palavra alguma para expressar como me sinto na praia. Eu-mar-areia-sol-livros-rede. O ponto exato em que o Sol forma um ângulo de noventa graus com Escorpião. Ortogonal. E esse é o momento mais propício para eu pensar na vida. Foi em excelente hora que o Sol resolveu entrar em Escorpião.
2 comentários:
As práias de SC também não são de se jogar fora, em termos de paisagem.
Se bem que tem um problema. Além de aguentar as pessoas, temos que aguentar os Castelianos. Em algum lugares eles não são só turistas, mas empreendedores também.
Quando eu sentei à mesa do boteco, percebi que o amigo com o violão e o amigo com o pandeiro formavam um ângulo ortogonal com a minha satisfação. E com meu martelo de canha.
Só pensei na interação quando, no banho, ensaboava a axila direita. Certamente o atraso do impulso da alegria, grande inimigo da misantropia e do ensimesmamento, só se deu porque, ao acordar, não vi na parede a fotografia d’algum sambista grandioso.
Esse papo de que eu posso encontrar o ‘alimento’ em mim mesmo é balela. Bom mesmo é ganhar na boquinha. Buscar o pão ignoto, escondido no outro.
Daí fui lá na patuscada. Que não é minha praia, porque nunca estou na minha praia. Mas me divirto. Ah,como diria um sambista paulista, as mariposas em vorta da lâmpida!
Cerveja, papo, anedotas, música, mariposas e tudo o que eu já li em livros, e mais um pouco, ainda.
Ó mariposa, por que não dás uma folga pro Jean-Paul e vens tu também pra patuscada?
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